Hoje, no jornal o Estado de São Paulo foi publicada a matéria Vitórias e impasses no gigantismo da Virada Cultural, onde cinco agentes culturais debateram a consolidação do evento, que está no seu 5.º ano e com um orçamento de R$ 8 milhões.
Utilizamos esta postagem como reflexão, num momento em que a Cia. participa pela primeira vez da Virada e mesmo assim através de adesão. Outro ponto interessante é que temos vivenciados estas semanas de divulgação do nosso projeto que acontecerá no Terminal Rodoviário do Tietê, é o fato de como a Secretaria de Cultura da Prefeitura veicula um mapa da programação onde tudo acontece apenas no centro da cidade. Compreendemos que o motor desse evento seja o centro, porém, vemos que deveria ser feito um mapeamento melhor do que efetivamente acontece na cidade durante a Virada, inclusive na periferia, onde cada vez mais, os artistas e agentes culturais têm se organizado para que suas produções sejam divulgadas. Um bom exemplo é a sede do Grupo Sobrevento, que fica no Belenzinho, zona leste da cidade, diz Alexandre D’Angeli coord. do ânima Dois.
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O debate que o Estado promoveu anteontem contou com a presença de cinco expressivos agentes da cultura - o antropólogo José Guilherme Magnani, o empresário Alexandre Youssef, o produtor Mozart Mesquita e as atrizes e produtoras Mariana Senne (Cia. São Jorge de Variedade) e Patrícia Barros.
Acompanhe abaixo alguns trechos:
A respeito do Simbolismo
Alexandre Youssef. "A Virada Cultural é um belo dum cartão-postal, uma maneira de representar a diversidade artística, uma certa vocação que a cidade tem. Mas não pode ser ‘a’ política cultural. E é o que acontece, o que é lamentável. De uma certa maneira, você perde a noção de ações continuadas, de irrigação de determinados focos culturais da cidade, e atores, agentes, produtores que estão fazendo coisas independentemente do governo, do poder público, do mercado, que acabam perdendo conexão com uma das linhas de fomento que deveriam existir - agregadas a coisas como a Virada Cultural."
Mariana Senne. "A Virada está trabalhando com um orçamento de R$ 8 milhões para um evento de 24 horas. No teatro, nós temos a Lei do Fomento, que poderia ser um modelo de uma ação pública continuada, que tem R$ 11 milhões durante o ano inteiro. São contemplados 50 grupos, que pode atender a uma população bastante grande, que chega perto dos números absolutos da Virada. É um exemplo de política pública que é de continuidade. Parece que, por mais que as intenções sejam positivas, a Virada não é uma política pública."
Vanguarda
Youssef. "Eu não concordo que o poder público tenha de ser sempre conservador. Quando você tem algumas situações que são muito claras... Por exemplo, a revitalização do Baixo Augusta, os clubes, as galerias, a efervescência da noite, os pequenos ateliês, valorização dos imóveis. Tá todo mundo falando nisso, a Veja, o Estadão. E não existiu qualquer ação pública. Zero. Mesmo que a ação pública não seja de vanguarda, ela tem de aproveitar, potencializar as ações que estão acontecendo na cidade. Seja de qualquer ponto de vista. E não existe essa noção de aproveitamento."
Da grana
Mariana. "A Barra Funda, onde está a Companhia de São Jorge, onde eu trabalho, vale a pena a gente se perguntar o que está por trás disso. Qual é o conceito de cidade que está por trás disso. Parece que é uma cidade empresarial, onde a arte é uma mercadoria, e nós que somos os fazedores da cultura, acabamos funcionando ingenuamente, ou às vezes oportunisticamente, como iscas. Que, afinal de contas, dialogamos com os travestis, os crackeiros, e ajudamos a estimular a especulação imobiliária. Por que não há mais diálogo?
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